CASAMENTO PERFEITO

Pedro Silva é uma figura carismática do ciclismo. Foi profissional durante treze anos e, quando arrumou a bicicleta, fez questão de continuar ligado à modalidade. Natural de Mortágua, avançou, em 1999, com a criação de um clube de ciclismo. Três anos depois, formou uma equipa sub-23 consistente, a que não é alheio o apoio da Anicolor, que dá nome à equipa.

Ideia vingou

Criar um clube de ciclismo em Mortágua, num concelho sem qualquer tradição, era, à partida, um projecto arrojado. Todos tinham consciência disso, menos Pedro Silva, um conterrâneo e ex-ciclista profissional a liderar o projecto.

Pedro Silva foi profissional durante (1986-1998) treze anos, ao longo dos quais conseguiu 98 vitórias. As mais importantes foram 13 triunfos na Volta a Portugal, onde por quatro vezes ganhou a camisola verde, uma a rosa e o combinado, tendo ainda ganho um GP Correio da Manhã e um Eixo/Atlântico.

Notabilizou-se ao serviço do Boavista e Sicasal, tendo ainda vestido as camisolas do Sangalhos, onde começou a carreira, Lousa, Louletano e LA Pecol.

Terminada a carreira, criou o clube Mortágua Clube Duas Rodas, com as secções de BTT, Cadetes, Juniores e Estrada. Em 2002, criou uma equipa de Sub-23, e um ano depois, a Anicolor associou-se ao projecto, tal como a Câmara Municipal de Mortágua, esta desde a primeira hora.

Em Novembro de 2004, mudou o nome ao clube, para Velo Clube do Centro, onde continua a desempenhar as funções de presidente e director desportivo.

Inicialmente, por falta de meios e de logística, a tarefa da equipa não foi fácil. Ao apoio da autarquia juntou-se outro de peso, a Anicolor, e os resultados começaram aparecer. A empresa, de sistemas de alumínio, sediada em Oiã, vai no terceiro ano de apoio.

Pedro Silva faz um balanço positivo desta parceria: “É extremamente positivo. Já fomos campeões e vice campeões nacionais, já ganhámos com profissionais - GP Abimota e GP Gondomar”. O director desportivo da Anicolor/Mortágua mostra-se bastante satisfeito com a época em curso: “Vencemos uma prova do Troféu RTP (Bruno Sancho) e um prova da Taça de Portugal, tendo ainda ganho a camisola da juventude (Márcio Barbosa) no GP do Minho”.

Tratando-se de uma equipa do interior, mais difícil se torna a angariação de apoios. A este respeito, Pedro Silva confessou que “esse é o problema maior, mais ainda porque em Mortágua nunca houve tradição no ciclismo. Por isso temo-nos virado para uma região mais alargada. Daí que tenha surgido a Anicolor e a Divilux, de Águeda”.

O Velo Clube do Centro conta com um orçamento de cerca de 75 mil euros, tem uma estrutura de dois carros de apoio, um camião oficina, um mecânico, um massagista e nove ciclistas: Vítor Francisco, Bruno Sancho, Hugo Sancho, Hélio Santos, Luís Barros, André Peixoto, Márcio Barbosa, Bruno Barbosa e Guillaume Alves, estrutura que compete no calendário nacional Sub-23, mais em algumas provas abertas a profissionais, e ainda nas Clássicas da Primavera, Fafe, Guimarães, GP Abimota, Minho, Barbot e Gondomar.

Provas

Englobado no Troféu RTP Sub-23, a Câmara Municipal de Mortágua patrocina o 5.º Prémio de Mortágua, dia 21 de Agosto, o que irá trazer ao concelho uma maior notoriedade, que também passa pela equipa: “Temos tido um papel bastante mediático no Troféu RTP. Estamos a aparecer mais do que algumas equipas profissionais, o que é bastante positivo para quem aposta em nós”, referiu Pedro Silva.

A Anicolor/Mortágua vai participar, de 31 de Julho a 4 de Agosto, na Volta a Portugal do Futuro. As perspectivas para esta competição são altas, como nos transmitiu Pedro Silva: “No ano passado ganhámos uma etapa, fomos líderes um dia, mas este ano queremos ganhar mais etapas, sermos mais competitivos, porque o objectivo é lutar pela vitória final”.

Outro sonho

Pedro Silva tem o sonho de Mortágua possuir uma equipa profissional: “Desde há um ano para cá que estamos a trabalhar num projecto profissional, à procura de empresas interessadas nesse projecto. Não há nada de concreto, apenas vários contactos”, disse o presidente do Velo Clube do Centro.

Para que o projecto avance, na óptica de Pedro Silva, seriam necessários 500 mil euros, mas 400 mil euros, era possível para arranjar uma equipa competitiva. Para quem gasta actualmente 75 mil euros, convenhamos que é muita fruta.

Pedro Silva começou o seu trajecto no ciclismo no Sangalhos. Questionado sobre esse tempo, das diferenças do passado e do presente, Pedro Silva foi curto na resposta: “Não tenho uma opinião formada. Somos a única equipa da região Centro, e é pena que tanto Sangalhos e Águeda, o berço nacional do ciclismo, não tenham uma equipa de ciclismo”.

Manuel Zappa

Diário de Aveiro



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