CLUBES DA II DIVISÃO SÉRIE C REUNIRAM COM LPFNP

O Fátima patrocinou a ideia, a Liga Portuguesa de Futebol Não Profissional (LPFNP) apadrinhou, e mais do que nunca ficou a saber que os dez clubes, representados na reunião, não concordam minimamente com as alterações verificadas na II Divisão e, como forma de mostrar o seu descontentamento, emitiram e enviaram um comunicado ao presidente da FPF, pedindo uma reunião com carácter de urgência.

Várias exigências

Dos 15 clubes que compõem a Série C da II Divisão Nacional e, partindo do princípio que o Académico de Viseu extinguiu o futebol sénior, apenas faltaram à chamada Castelo Branco, Rio Maior, Penalva do Castelo e União de Coimbra.

Estiveram presentes na reunião, que decorreu, na passada quinta-feira, num hotel em Fátima, dez clubes: Portomosense, Pampilhosa (representado por Guilherme Duarte e Fernando Niza), Abrantes, Tourizense, Pombal, Oliveira do Hospital, Nelas, Oliveirense, Oliveira do Bairro (representado por Hélder Barros e David Reis) e Fátima, clube que organizou a reunião.

Almeida Antunes, director executivo da LPFNP, também esteve presente, e ouviu as queixas dos clubes, sob a forma como a FPF reformulou o quadro competitivo, e sobretudo a II Divisão.

Uma das primeiras notas, que todos comungaram, era saber se os clubes que fazem parte da Série C iriam a tempo de resolver alguma coisa.

Ninguém pensava que as alterações fossem para a época vindoura. Por isso, o clube anfitrião acha que tudo foi feito em cima do joelho, com as associações distritais a não ouvirem os clubes.

Natálio Reis, vice-presidente do Fátima, opinou que catorze clubes é muito pouco, concorda com as quatro séries, mas não aceita um campeonato com tantas paragens, pouco competitivo, que acabará mais cedo, daí ser apologista de um campeonato com 16 clubes.

“Do nosso ponto de vista brincaram com os clubes”, afirmou aquele dirigente.

Luís Albuquerque, secretário técnico do Fátima, avançou com algumas das razões da reunião, e dados para discussão entre os clubes presentes, sem antes dizer que a II Divisão é o parente pobre do futebol português.

O Fátima não se conforma com uma prova com sete meses de duração; os compromissos, assumidos com os jogadores, são de dez meses, e deixou várias hipóteses em cima da mesa: ou se volta às três zonas, com 18 clubes e uma com 20; impugna-se o campeonato, ou vão-se “repescar” clubes que desceram da segunda para a terceira como foi feito na II Liga, como também se mostrou contra os clubes jogarem à quarta-feira as eliminatórias da Taça de Portugal.

Almeida Antunes, director executivo da LPFNP, disse aos representantes dos dez clubes presentes que não se podia impugnar, mas sim criar propostas bem definidas e pensar na próxima (2006/2007) época.

Sobre a Liga Profissional, Almeida Antunes referiu que aquele organismo “está a perder pontos todos os dias. Se temos que bater o pé e dizer chega, é às associações”.

Depois de afirmar que o Torreense viria para esta série e a Oliveirense, eventualmente, para a série B, e da história de só subirem dois clubes, o que classificou de pouca-vergonha, Almeida Antunes disse que “se não tivermos associações fortes como a nossa força, vamos continuar a dar tiros nos pés”.

Guilherme Duarte, do Pampilhosa, mostrou-se irredutível com o regresso do Torreense a esta série, pois continuam a descer quatro clubes e a disputar um mini campeonato, pedindo para que todos em conjunto arranjassem alguns mecanismo para os clubes se defenderem.

O representante do Abrantes não concordou com a posição do Pampilhosa, e até disse que “se fossemos a tomar uma posição era um golpe de estado no futebol português”.

Por seu turno, o presidente do Tourizense, Jorge Alexandre, disse: “A AF Coimbra, clube onde o meu clube está filiado, não foi ouvida. Os clubes têm que ser ouvidos, temos que tomar uma posição. Catorze equipas, é ridículo, isto é uma palhaçada”.

Foi dito também que há clubes que não jogam um mês em casa, as pessoas desinteressam-se do futebol, os encargos são cada vez maiores.

David Reis, do Oliveira do Bairro, perante tantas incertezas, nomeadamente da presença ou não do Académico de Viseu, quis saber se o Felgueiras desiste ou não; se o Gondomar tem condições para regressar à II Liga, acabando por afirmar que “saímos daqui a saber menos do que quando aqui entrámos”.

Mesmo perante alguns avanços e recuos, de constante insatisfação, os clubes redigiram um comunicado, tendo mandatado a LPFNP, pretendendo, com carácter de urgência, uma reunião com Gilberto Madaíl, presidente da FPF, e manifestar-lhe toda a sua indignação pela reformulação dos campeonatos, que os mesmos tenham o mínimo de 16 clubes.

Os clubes deliberaram ainda que, havendo folgas, não jogam à quarta-feira, mas, sim, ao domingo, para a Taça de Portugal, como pretendem que seja reformulado o sorteio da série com 14 equipas. Caso o campeonato seja de 15 equipas, os responsáveis dos clubes pretendem que o calendário de jogos seja reformulado, de maneira a que não haja dois clubes a folgar todas as jornadas.

Outro ponto forte do comunicado prende-se com as possíveis alterações. Se elas existirem por banda da FPF, os clubes exigem que essa reformulação seja comunicada aos clubes até 31 de Janeiro de 2006.

Manuel Zappa


Diário de Aveiro



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