ESTUDO FOI APRESENTADO EM ÁGUEDA

Mais de um quarto das empresas portuguesas de metalomecânica produzem exclusivamente para exportação, revela um estudo de caracterização do sector, ontem, apresentado em Águeda, num seminário sobre as potencialidades e constrangimentos daquela indústria.

Metade das empresas dedica-se em simultâneo ao mercado português e a mercados externos, enquanto 24 por cento se dedicam em exclusivo ao mercado nacional, segundo os dados apresentados pelo representante do laboratório de ensaios da ABIMOTA, Luís Pedro.

Tradicionalmente vocacionadas para a subcontratação, a maioria das empresas portuguesas fez uma evolução para a produção própria, sendo actualmente 51 por cento as que trabalham com um produto próprio, 31 por cento as subcontratadas com desenvolvimento de produto e somente 18 por cento subcontratadas "puras", segundo o mesmo estudo.

Nos últimos cinco anos aumentou significativamente o número de empresas certificadas e foram introduzidas inovações como a criação de linhas sazonais, a procura de novos materiais e alterações ao nível do design, além da utilização de equipamentos versáteis para pequenas séries, já que "as grandes produções de milhares de peças não serão feitas em Portugal".

Entre os pontos fracos do sector persiste a baixa qualificação dos recursos humanos, a pequena dimensão das empresas e a tendência para a concorrência directa e rivalidade entre empresas "vizinhas" e a pouca motivação para acções de formação.

Para aquele especialista, a concorrência asiática que afecta o sector não pode ser vencida pelo preço, mas pela qualidade e inovação.

"Quase todas as empresas portuguesas que tentaram vencer a concorrência asiática pelo preço saíram a perder" afirmou.

De acordo com a exposição daquele orador, "mesmo a incorporação massiva de produtos asiáticos nos artigos nacionais, para baixar o preço, tem conduzido a maus resultados".

No seminário, realizado pela Associação Industrial do Distrito de Aveiro, foram apresentadas as experiências de duas empresas que mudaram de estratégia e conquistaram novos mercados: a Guialmi, de mobiliário de escritório, e a Rodi, que fabrica aros de bicicletas e bancas de cozinha.

No primeiro caso, a empresa deixou de se focalizar no mercado interno e apostou em mercados exigentes, nomeadamente em Espanha, contratando designers internacionais e densificando a rede de representantes da marca e de distribuidores e tem agora o objectivo de, até 2008, uniformizar o mercado ibérico, ou seja, ter penetração idêntica em Espanha à que detém em Portugal.

"Não há uma Espanha, mas um conjunto de regiões com especificidades, do ponto de vista comercial", disse João Hernâni, empresário da Guialmi.

No caso da Rodi, que produzia acessórios para motos e bicicletas na década de 70, a crise das duas rodas levou-a a enveredar também pela produção de lava-loiças e a especializar-se na fabricação de aros para as rodas.

Hoje é líder na Europa na fabricação de aros, exportando para 70 países e está agora apostada nos artigos de topo de gama, deixando à concorrência asiática que se adivinha, o segmento mais económico.
Diário de Aveiro



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