LUTANDO SEMPRE COM ALGUMAS DIFICULDADES ECONÓMICAS

A Companhia de Teatro Vivarte terminou o ano com 352 actuações entre Portugal e Itália. Quase uma actuação por dia, o que traduz bem o trabalho desempenhado por esta companhia de teatro com sede em Oliveira do Bairro.

Peculiaridade

A peculiaridade do trabalho dramatúrgico da Companhia de Teatro Vivarte consiste na fusão entre Teatro e Recriação Histórica, aliada a um conceito de Teatro de Rua, feito de momentos aparentemente dispersos que ocorrem num espaço e tempo e agindo sobre eles.

Ao longo de 2006, e contando somente até ao início de Novembro, o Vivarte, responsabilizou-se por 86 dias medievais, oito dias quinhentistas, oito dias árabes, sete dias romanos, 90 torneios de armas, 85 ceias entre medievais cristãos, medievais árabes, romanos, piratas, celtas e quinhentistas.

Realizou seis casamentos medievais, representou 12 lendas locais, 76 espectáculos de teatro, nove assaltos a castelos, quatro batalhas e 33 animações temáticas, totalizando 352 actuações entre Portugal e Itália.

Em Itália, à companhia de teatro Vivarte e ao seu parceiro italiano, Centro Storico de Finale, foi atribuída uma Medalha de Mérito pelo Presidente da República Italiana. Coincidentemente, o Presidente da Câmara de Oliveira do Bairro visitara, uns dias antes, o evento italiano.

Segundo Mário Costa, “esta companhia de teatro, não sendo subsidiada pelo Ministério da Cultura, tem desenvolvido um notável trabalho em prol da cultura e da preservação do património histórico”.

“Lutando sempre com algumas dificuldades económicas tem, contudo, sabido aguentar-se no nicho de mercado cultural que desbravou ao longo destes anos”.

Profissionalizada em 1998, a partir do grupo Vivarte, nascido em 1988 na Escola Secundária de Oliveira do Bairro, conta com 23 profissionais a tempo inteiro desdobrando-se em actores, músicos e artistas circenses.

Recriações históricas

Segundo Mário João, as recriações históricas, nomeadamente as feiras medievais e quinhentistas, realizadas pelo Vivarte, “valorizam o nosso património construído, alterando a relação entre a população e os monumentos que lhes pertencem; como também dinamizam a actividade de todo o tipo de colectividades locais, podendo inclusive funcionar como uma fonte de financiamento”.

Mário Costa dizainda que estas recriações “têm um elevado papel pedagógico, nas escolas e junto da população adulta, sabendo-se que a história ao vivo é uma técnica testada e de sucessos do ponto de vista das estratégias de ensino não formal”.
Diário de Aveiro



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