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23-08-2006

Cedrim debaixo de fogo


«Foram três dias de terror»

Durante três dias, Cedrim foi notícia nos principais jornais nacionais e noticiários televisivos, embora pelos piores motivos. Uma visibilidade mediática que chegou repentinamente à pacata aldeia de Sever do Vouga no passado dia 11, por força das chamas que irromperam na tarde de sexta-feira e teimaram em lançar o pânico e a devastação na zona, durante 72 horas consecutivas. Doze dias depois do «horror», o rasto do fogo não deixa ninguém esquecer-se dos «três dias de inferno». Ao intenso cheiro a queimado, junta-se um cenário triste. Quilómetros e quilómetros de floresta e mato completamente reduzidos a cinzas, troncos queimados, mangueiras de água retorcidas, placas de sinalização pretas e uma sensação de perda e revolta partilhada pelos populares. No combate às chamas chegaram a estar envolvidos mais de 300 bombeiros, «homens incansáveis e de grande coragem», afirma convicta Isilda Jesus, que recorda a «pena que sentia em vê-los esgotados e já sem forças, a descansarem por aí fora como podiam». Valeu-lhes «a boa-vontade do povo que, além de ajudarmos a apagar as chamas e a molhar os campos, dávamos-lhes leite, sandes, fruta, água, enfim, tudo o que podíamos», lembra Isilda Jesus, a residir no centro de Cedrim e que embora não tenha sofrido prejuízos com o incêndio, «não ganhei para o susto». Pior sorte lamenta Maria Vieira dos Santos, que além de se ter visto rodeada de chamas e, por várias vezes, ter receado o pior, perdeu completamente um pinhal, curiosamente, destruído há cerca de seis anos por outro incêndio, embora de menores dimensões. «Agora que as árvores estavam todas a rebentar e a ganhar tronco, voltei a ficar sem nada. Uma tristeza!». E sem esconder a revolta refere, «não temos provas, mas de certeza que isto foi fogo posto. Se o apanhássemos, não saía daqui vivo». Casas rodeadas por chamas de 30 metros Considerado um dos piores e dos mais preocupantes deste ano a nível nacional, o incêndio de Cedrim começou na tarde de sexta-feira, numa zona conhecida como Vale do Loureiro. Cerca de 24 horas depois, as chamas «galgaram» impiedosas para o concelho de Oliveira de Frades, no distrito de Viseu e a devastação continuou. Rui Pereira, a residir em São Julião, numa zona de intensa mancha florestal, assistiu à subida das chamas serra a cima e, algumas horas depois, à sua descida pelo outro lado da serra. No meio do incêndio esteve a sua residência, construída há apenas sete anos e que, por momentos, este severense receou perder. «As chamas estiveram a poucos metros dos muros da casa e, sinceramente, temi o pior», referiu ao Diário de Aveiro. Recuando àquele fim-de-semana dramático, Rui Pereira recorda que a primeira preocupação foi para os dois filhos menores, que depressa foram retirados de casa para junto de familiares, «depois, a preocupação foi para a casa, pois estivemos aqui rodeados de fogo». Doze dias passados, as paredes brancas da casa e o verde do jardim, salvos pelos bombeiros e pela sorte, contrastam vivamente com o preto da paisagem. «Vivíamos rodeados de árvores e verde, agora estamos cercados de preto e de carvão», diz com pesar. Cerca de cinco anos, é a estimativa mais optimista de Rui Pereira para que as árvores desta zona voltem a cobrir-se de verde, «é muito triste assistir-se a um incêndio que em algumas horas destrói o que a natureza e as pessoas levam anos a construir», referiu. «Tão mau como este, só mesmo o incêndio que deflagrou nesta zona em 1985, até fez vítimas mortais». Fazer contas aos prejuízos O incêndio de Cedrim, embora sem vítimas humanas, deixou um pesado rastro de destruição em Sever do Vouga. Aos pinhais particulares totalmente destruídos, junta-se a morte de animais de criação, a destruição de vinhas, campos de trigo e quintais, além de danos em empresas da Zona Industrial de Cedrim. O mesmo incêndio que chegou a ser dado como extinto, mas que reacendeu durante a madrugada de sábado, atingindo Oliveira de Frades e ameaçando Lagoa e Talhadas. Com a mudança do vento, o curso do fogo voltou a Cedrim e estendeu-se para Ribeiradio. Na passagem por Cedrim, as populações residentes em Carezedo, Vilarinho e Santo Adrião foram as que mais sofreram com a proximidade das chamas. Particularmente Santo Adrião, que chegou a estar cercado pelo fogo, sem água e sem electricidade. Agora é tempo de fazer contas à vida, somar os prejuízos e começar a recuperar as perdas. Sandra Simões

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